Plano de selagem: pressurizado ou não pressurizado?

Escrito por: Malavazi
| quarta-feira, 21 outubro, 2026

Plano de selagem pressurizado e não pressurizado

Em aplicações com selo mecânico duplo, a definição do plano de selagem interfere diretamente na forma como o fluido auxiliar circula e se relaciona com o fluido de processo. Por esse motivo, a escolha não deve considerar apenas se o plano é pressurizado ou não pressurizado.

Além disso, é necessário avaliar o arranjo do selo mecânico, as pressões de operação, as características do produto, a compatibilidade entre os fluidos e as condições exigidas para a aplicação.

A 4ª edição da API 682 (2014), estabelece critérios para sistemas de selagem de eixos aplicados principalmente a bombas centrífugas e rotativas utilizadas nas indústrias de petróleo, gás, óleo e indústria química. 

Nesse sentido, entre as configurações previstas estão os Arranjos 2 e 3, que ajudam a compreender uma das principais diferenças entre planos de selagem não pressurizados e pressurizados.

Qual é a diferença entre planos pressurizados e não pressurizados?

O ponto central está na pressão do fluido auxiliar em relação à pressão da caixa de selagem.

Nos sistemas não pressurizados, de Arranjo 2, o líquido de buffer entre os selos mecânicos opera com pressão inferior à pressão da caixa de selagem. Essa configuração é indicada para aplicações em que se busca evitar emissões para a atmosfera, desde que o processo permita que pequenas quantidades de fluido migrem para o circuito de buffer.

Nos sistemas pressurizados, de Arranjo 3, o fluido de barreira entre os dois selos mecânicos opera com pressão superior à pressão da caixa de selagem. A API 682, 4ª edição, estabelece como referência mínima um diferencial de 0,14 MPa, equivalente a 1,4 bar. Dessa forma, o sistema busca impedir a passagem do fluido de processo para a atmosfera e pode ser indicado para aplicações com fluidos altamente tóxicos, perigosos ou abrasivos, conforme os requisitos do processo.

A expressão “não pressurizado” não indica ausência de pressão na bomba. A classificação descreve a condição do fluido auxiliar em relação à pressão da caixa de selagem.

Plano de selagem não pressurizado: Planos 52 e 55

Plano de selagem 52 com reservatório externo e líquido de buffer
Plano de selagem 52 com líquido de buffer em configuração não pressurizada.

O Plano 52 trabalha com um reservatório externo que fornece líquido de buffer ao selo mecânico externo de um conjunto em Arranjo 2.

Nesse plano, a pressão do líquido de buffer permanece inferior à pressão da caixa de selagem. A circulação ocorre entre o reservatório e o conjunto por meio de um dispositivo interno de circulação ou por convicção.

Entre as aplicações previstas estão serviços em que é necessário minimizar e conter a passagem do fluido de processo para a atmosfera. O Plano 52 também pode atender aplicações em que o produto tende a solidificar em contato com o ambiente ou quando a aplicação exige remoção adicional de calor.

Entretanto, as características do fluido precisam ser avaliadas. A referência técnica indica melhor adequação do Plano 52 a produtos limpos e não polimerizantes. Além disso, o fluido de processo que ultrapassa o selo mecânico interno pode se misturar ao fluido de buffer, alterando suas condições ao longo da operação.

O Plano 55 também trabalha com fluido de buffer em uma configuração não pressurizada e com selo mecânico de Arranjo 2. A diferença está principalmente na circulação: nesse caso, uma fonte externa promove a circulação do fluido de buffer, em vez de um circuito autocontido como no Plano 52.

Plano de selagem pressurizado: Planos 53A, 53B, 53C e 54

Os Planos 53A, 53B, 53C e 54 são utilizados com selo mecânico de Arranjo 3. Neles, o líquido de barreira trabalha acima da pressão da caixa de selagem.

Assim, essa diferença de pressão determina o sentido da passagem pelas faces do selo mecânico interno. Em condições normais, uma pequena quantidade do líquido de barreira pode seguir para o produto bombeado. Por isso, a compatibilidade entre o líquido de barreira e o fluido de processo precisa fazer parte da especificação.

Embora pertençam ao mesmo grupo, os quatro planos utilizam recursos diferentes para manter a pressurização.

Configuração 53A com reservatório externo pressurizado e fluido de barreira
Plano de selagem 53A com reservatório externo de fluido de barreira pressurizado.

No Plano 53A, o líquido de barreira permanece em um reservatório externo pressurizado e circula pelo circuito auxiliar.

Configuração 53B com acumulador tipo bexiga e fluido de barreira
Plano de selagem 53B com acumulador tipo bexiga para pressurização do fluido de barreira.

No Plano 53B, um acumulador tipo bexiga mantém a pressão do líquido de barreira. Essa configuração mantém o gás de pressurização separado do líquido, evitando seu contato direto.

Configuração 53C com multiplicador de pressão tipo pistão
Plano de selagem 53C com multiplicador de pressão tipo pistão.

No Plano 53C utiliza um multiplicador de pressão tipo pistão. A pressão da caixa de selagem serve como referência para que o equipamento mantenha o diferencial necessário no circuito de barreira. De acordo com a referência técnica, aplicações com fluidos que contenham sólidos, formem depósitos sobre superfícies metálicas ou solidifiquem em condições ambientes exigem atenção, pois não são adequadas ao Plano 53C.

E como funciona o Plano 54?

Plano de selagem 54 com fonte externa de fluido de barreira pressurizado
Plano de selagem 54 com fornecimento externo de fluido de barreira pressurizado.

O Plano 54 também atende o selo mecânico de Arranjo 3, mas utiliza uma fonte externa para fornecer e circular o líquido de barreira.

Nesse caso, o fluido chega ao conjunto limpo e pressurizado acima da pressão da caixa de selagem. A circulação pode ocorrer por meio de uma bomba externa ou de outro recurso de pressurização.

Essa configuração pode ser considerada em serviços nos quais o fluido bombeado apresenta temperatura elevada, contém sólidos ou quando o dispositivo interno de circulação não consegue fornecer a vazão necessária.

Entretanto, a confiabilidade da fonte externa passa a ser um aspecto essencial da especificação. Uma interrupção ou contaminação desse fornecimento pode comprometer as condições necessárias ao funcionamento do selo mecânico.

Plano 55: circulação externa de líquido de buffer

O Plano 55 também trabalha com fluido de buffer em uma configuração não pressurizada e com selo mecânico de Arranjo 2. A diferença está principalmente na circulação: nesse caso, uma fonte externa promove a circulação do fluido de buffer, em vez de um circuito autocontido como no Plano 52.

No Plano 55, um sistema externo fornece o líquido de buffer. Esse líquido deve permanecer abaixo da pressão da caixa de selagem e com pressão inferior a 0,28 MPa (2,8 bar). A circulação ocorre por meio de uma bomba externa ou de outro sistema de pressão.

A referência técnica também prevê o Plano 55 para serviços em que se busca minimizar e conter a passagem do fluido de processo para a atmosfera. O Plano 55 pode atender aplicações em que o produto tende a solidificar em contato com o ambiente ou que exigem remoção adicional de calor do selo mecânico interno.

Como a circulação depende de uma fonte externa, a especificação deve considerar a confiabilidade desse fornecimento e a possibilidade de contaminação do circuito de buffer pelo líquido ou vapor proveniente do processo.

Quais critérios devem orientar a escolha?

Não existe um plano de selagem adequado para todas as aplicações.

Antes de selecionar entre uma configuração pressurizada e uma não pressurizada, é necessário analisar fatores como pressão da caixa de selagem, temperatura, características do fluido bombeado, presença de sólidos, tendência à polimerização ou solidificação e necessidade de remoção de calor.

Nos planos pressurizados, outro ponto decisivo é a compatibilidade entre o líquido de barreira e o processo. Como pode ocorrer passagem desse líquido pelo selo mecânico interno, o produto bombeado precisa admitir essa condição.

A pressão também exige atenção. Para aplicações de Arranjo 3, a norma API 682, 4ª edição, estabelece que a pressão mínima de barreira deve permanecer acima da pressão máxima da caixa de selagem. A norma apresenta como referência mínima um diferencial de 0,14 MPa, equivalente a 1,4 bar.

Dentro desses dois conceitos, os Planos 52, 53A, 53B, 53C, 54 e 55 apresentam características próprias de circulação, pressurização e aplicação.

Por isso, a especificação precisa considerar conjuntamente o equipamento, o fluido de processo, o selo mecânico e as condições de operação. Essa análise reduz o risco de selecionar um plano incompatível com as necessidades da aplicação.

Se a sua aplicação exige a definição ou revisão de um plano de selagem, entre em contato com a Malavazi. Nossa equipe pode analisar as condições de operação e auxiliar na especificação do selo mecânico e dos equipamentos auxiliares de acordo com os requisitos do processo.

Referência técnica: Referência técnica: API 682, 4ª edição (2014).

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